Na partida do último final de semana, em Paranaguá, o calor não vinha das arquibandas, não era apenas dos sócios torcendo e vibrando pelo Coxa. As elevadas temperaturas que, até mesmo à noite, levam qualquer um à exaustão, ganhou a atenção das pessoas.
Atenção dividida com o público e também com os atletas e profissinais dentro do campo. Tanto é que a Federação Paranense de Futebol determinou que durante as partidas do Paranaense haja três minutos de parada técnica para hidratação e recuperação dos jogadores, expostos de forma brutal a condições extremas de exigência física sob muito calor.
A inciativa foi elogiada pelo Coordenador do Departamento Médico do Coritiba, Lúcio Ernlund, e pelo preparador físico do time, Alexandre Lopes. Ambos veem o tempo técnico como um importante fator que contribui na prevenção da integridade dos ateltas.
"Como médico achei sensacional os três minutos técnicos. O espetáculo do futebol é feito por atletas que são seres humanos. Com o calor e umidade do ar que estamos tendo, há uma grande desidratação e alteração do nosso mecanismo de controle de temperatura interna de nosso corpo. Isso causa grande risco de perda de consciência do atleta durante a partida por hipertermia (isto é aumento da temperatura interna) e consequentemente sérios riscos para a saúde", explicou o medico coxa-branca.
"Ao realizar estas paradas os atletas podem se hidratar e refrescar o calor controlando a temperatura interna de seu corpo e reduzindo risco de lesões e melhorando o espetáculo", complementou e parabenizou a FPF pela ideia, "uma medida simples e de alto impacto para o bom futebol".
Alexandre Lopes, preparador físico Alviverde, esteve com os atletas em Paranaguá e concorda com Ernlund, sobretudo no melhor rendimento que a ação pode dar para as partidas. "Com o tempo de jogo é normal que haja a desidratação. No momento em que há o tempo técnico, conseguimos uma importante recuperação dos jogadores e com isso a expectativa de que o desempenho também melhore", considerou.
O tempo técnico também foi elogiado pelos atletas. Jéci, capitão coritibano, lembra que o calor em Paranaguá foi tanto que, por iniciativa dos atletas, o tempo de intervalo foi aproveitado fora do vestiario do Itiberê, em um gramado próximo do campo. "Dentro do vestiário estava muito quente, então resolvemos trocar os uniformes, fazer a hidratação e nos reunirmos fora, isso foi visto com normalidade pela comissão e não atrapalhou o trabalho. De qualquer maneira, vejo que o tempo técnico é importante. Se fora do campo estava quente, dentro do campo, correndo, realizando picos de esforço fora do comum, posso garantir que a coisa é bem mais complicada".